REGARDS CROISÉS
PORTUGAL 2025
ESPETÁCULOS, ENSAIOS ABERTOS E WORKSHOPS
AUDITÓRIO MUNICIPAL DE GAIA E
ARMAZÉM 22, GAIA, PORTUGAL
05—08 NOVEMBRO 2025
A 6.ª edição do festival transfronteiriço Regards Croisés Portugal, sob o signo do sonho e da transcendência, decorrerá em Vila Nova de Gaia, de 5 a 8 de novembro de 2025. O Armazém22 e o Auditório Municipal de Gaia receberão espetáculos de dança contemporânea, ensaios abertos e workshops para bailarinos e público em geral.
O Festival Regards Croisés Portugal é um projeto de colaboração coreográfica que promove a dança contemporânea e favorece o encontro entre públicos, artistas e instituições educativas, refletindo diversas perspetivas artísticas e culturais provenientes de contextos geográficos distintos (Portugal, Espanha e França). Desde 2020, o festival é organizado pela Kale Cooperativa Cultural, em parceria com o Centro Coreográfico Nacional Malandain Ballet Biarritz e a Fundición Bilbao (Bilbao, Espanha), com o apoio da Câmara Municipal de Gaia.
Na abertura oficial, que terá lugar no Auditório Municipal de Gaia, no dia 5 de novembro, será apresentada a nova criação da Kale Companhia de Dança, BET#1. Fiel ao espírito de partilha transfronteiriça do festival, a Kale convidou o coreógrafo francês Samuel Mathieu para criar uma peça à medida dos intérpretes da companhia.
BET#1, a nova criação original da KALE propõe uma arquitetura corporal combinada com uma constante mutação do espaço, revisitando os métodos de escrita coreográfica da história da dança contemporânea, para assim revelar uma poesia viva e dinâmica, reflexo de um mundo dependente do momento presente, constrangido desde o instante da inovação pelo dever de se renovar.
No próximo dia 6 de novembro, no Armazém22, às 21h, o projeto «Janela Portugal» apresentará os primeiros passos coreográficos da jovem coreógrafa portuguesa Carolina Rocha, que busca a sua inspiração poética nos detalhes insignificantes do quotidiano, incluindo aqueles que levam à loucura.
O festival continuará a fazer-nos sonhar no dia 7 de novembro, no Auditório Municipal de Gaia, com a apresentação da companhia La Mamma de «DREAM A LITTLE DREAM OF WE». Esta companhia, dirigida desde 2021 pela coreógrafa franco-cingalesa Tamara Fernando, permitirá acompanhar o percurso do indivíduo rumo ao coletivo, onde cada um confronta as suas ilusões e expectativas projetadas nos outros. Através de uma série de quadros poéticos, cinco bailarinos encarnarão a procura pela unidade e a complexidade das relações humanas.
No dia 8 de novembro, no Armazém22, às 17h, será a vez da dupla composta pelo cantor Beñat Achiary e pelo dançarino Mizel Theret nos fazer participar das suas conversas / «HIZKETAK», que, explorando a memória como espaço de transcendência, irão esclarecer as raízes profundas do património cultural basco através de uma escrita musical e coreográfica trabalhada. Estas conversas prestarão homenagem ao poeta basco Etxahun-Barkoxe e à prática deste desporto universal que é a pelota.
Para encerrar este festival com frescura e juventude no Auditório Municipal de Gaia, às 21h, será apresentado o programa «Dois», interpretado pelos jovens bailarinos da K2 Companhia Jovem que celebra 10 anos da sua criação. Este programa, da criação de Inês Cerqueira e Sara Moreira, em duas partes, que começa com uma homenagem ao compositor alemão Ludwig van Beethoven, propõe transformar o espaço cénico num terreno de jogos onde, entre a tradição e a transgressão, serão questionados os parâmetros do tempo e do espaço, a fim de lançar um grito de independência e deixar que as conexões invisíveis entre os corpos se expressem através do movimento.
Além destes espetáculos no Auditório Municipal de Gaia e no Armazém22, ao preço único de 8 € por espetáculo ou passe geral a 30€, com acesso a todos os espetáculos, o Festival Regards Croisés Portugal oferece dois ensaios abertos com entrada gratuita, nos dias 6 e 7 de novembro, e dois workshops de dança, também gratuitos, destinados a bailarinos profissionais e pré-profissionais e ao público em geral.
QUarTA-FEIRA
5 novembro 2025
“BET#1” (ESTREIA)
KALE COMPANHIA DE DANÇA
Espetáculo
Auditório Municipal de Gaia
21:00
> 6 | 50’
quinta-FEIRA
6 novembro 2025
“DREAM A LITTLE DREAM OF WE”
LA MAMMA COMPANY
Ensaio Aberto e Conversa
Armazém22
19:00
>6 / 60’ / entrada gratuita
“COREOGRAFIA PARA UM ESCRITOR” (ESTREIA)
CAROLINA ROCHA
JANELA PORTUGAL
Espetáculo +
Conversa pós Espetáculo
Armazém22
21:00
>6 | 50’
sexta-FEIRA
7 novembro 2025
“HIZKETAK”
MIZEL THERÉT
& BEÑAT ACHIARY
Workshop de Dança
Armazém22
10h30—12h30
Profissionais e
Estudantes de Dança >14
Workshop de Música
Armazém22
10h30—12h30
Profissionais e
Estudantes de Dança >16
“HIZKETAK”
MIZEL THERÉT
& BEÑAT ACHIARY
Ensaio Aberto e Conversa
Armazém22
18:00
>6 / 60’ / entrada gratuita
“DREAM A LITTLE DREAM OF WE”
LA MAMMA COMPANY
Espetáculo
Auditório Municipal de Gaia
21:00
> 6 | 50’
sábado
8 novembro 2025
“DREAM A LITTLE DREAM OF WE”
LA MAMMA COMPANY
Workshop de Dança
Armazém22
10h30—12h30
Profissionais e
Estudantes de Dança >12
“HIZKETAK”
MIZEL THERÉT
& BEÑAT ACHIARY
Espetáculo
Armazém22
17:00
>6 | 50’
“DOIS”
K2 COMPANHIA DE DANÇA
Espetáculo
Auditório Municipal de Gaia
21:00
> 6 | 50’
BET#1 (ESTREIA)
KALE COMPANHIA DE DANÇA
COREOGRAFIA
Samuel Mathieu
INTÉRPRETES
Clara Mauro, Eva Ribeiro, Gustavo Oliveira, Isabela Rochael, Mafalda Costa, Maria Prata, Sara Abelheira, Sofia Maia, Matilde Fonseca
DESENHO DE LUZ
Samuel Mathieu e Joaquim Madaíl
MÚSICA
Samuel Mathieu
ENSAIADORA
Isabel Ariel
FIGURINOS
Gabriela Brás e Samuel Mathieu
APOIOS
Ginasiano Escola de Dança, Armazém22, Cie Samuel Mathieu, Auditório Municipal de Gaia, Câmara Municipal de Gaia
PARCEIROS MEDIA
Antena2
BET#1 é o meu desafio de levar o corpo aos seus limites em palco.
Esta peça é um jogo coreográfico em que a harmonia de um gesto é medida pela alegria de combinar tempo, espaço e forma, permitindo o desenvolvimento de uma sintaxe corporal, como uma obra literária complexa e performativa.
BET#1 está a desenvolver uma gramática coreográfica baseada em princípios inspirados em métodos de escrita de dança da nossa história contemporânea. Actualizados, estes métodos revelam, nesta acumulação de formas e conceitos, uma dramaturgia singular, transbordante de energia e potência, revelando o relevo guerreiro de performers prontos a revelar o humano num contexto de movimento.
Uma arquitetura de corpos combinada com um espaço em constante mutação, BET#1 revela uma poesia viva e dinâmica, reflexo de um mundo dependente do momento, constrangido a partir do momento da inovação pelo dever de o renovar.
Samuel Mathieu
Após uma carreira como intérprete, Samuel Mathieu iniciou a sua carreira como coreógrafo, criando também a banda sonora, o cenário e, por vezes, a produção digital e de vídeo para a maioria das suas peças. Fundou a sua companhia em 2001 com o seu primeiro projeto, Dépression dans la Cuisine, e a partir de 2004 criou o solo Est-ce-O-Elle-O-solo, seguido de uma série de peças em grupo, incluindo Us-Band, uma homenagem ao filme de J. Cassavetes, e Go On! A partir daí, estabeleceu uma relação próxima com os seus bailarinos, inscrevendo os primeiros princípios da escrita como parte de dois anos privilegiados no CDCN de Toulouse como artista associado, de 2006 a 2008.
A partir de 2008, o seu desejo de conhecer outras culturas levou-o primeiro à Alemanha, onde criou Nord-Reich-Nord, um ensaio cujos princípios coreográficos seriam aplicados no mesmo ano em Yan, um projeto franco-chinês, e depois em Généric-X, em 2009, no Japão. Foi uma aventura que o levou, durante períodos de pesquisa no Japão, em Yokohama e Quioto, e na China, em Tsingtao, a questionar a perceção de uma população, do outro lado do globo, de uma certa cultura ocidental.
Em 2010, um encontro decisivo com o compositor Maxime Denuc deu a Samuel Mathieu a oportunidade de explorar a ligação entre música e dança. Inspirado por alguns ensaios de Pascal Quignard, Samuel Mathieu criou uma série de três peças baseadas na viagem de Ulisses, Boutès (2010), depois L’Homme qui plonge (2011) e, finalmente, Les Identités Remarquables (2012).
Foi em 2014 que Samuel Mathieu conheceu Xavier Vidal, músico tradicional occitano e colecionador, para dar continuidade à pesquisa que havia iniciado. Ele permitiu que ele continuasse a pesquisa que havia começado em Les Identités Remarquables e o levou a transformar a sua visão política em realidade, criando R, uma peça para oito bailarinos. Para a ocasião, ele revisitou o rondeau, questionando-o no seu contexto para extrair a essência de uma necessidade. Na sequência disso, o coreógrafo explorou a ideia de uma dança política e decidiu, entre 2015 e 2016, levantar a questão do poder no palco. Três projetos foram criados na Europa: Assassins em Haia, na Holanda; Monstres em Vilnius, na Lituânia; e Attentater em Chemnitz, na Alemanha.
Ao mesmo tempo, Samuel Mathieu está a ampliar a sua abordagem ao movimento através de três criações, fruto de um encontro no palco entre tiras aéreas e dança: C’est tout (2015), que celebra as últimas palavras de M. Duras; Guerre (2017), inspirada na sinopse escrita por Y. Klein em 1954 para dança e cinema, na qual ele descreve uma luta na história da arte, entre linha e cor, evocada anteriormente por E. Delacroix. Finalmente, Animal Sketching (2021) é uma peça para o público jovem baseada na obra de A. Calder.
Intimamente ligadas, a peça solo Frau Troffea, criada em 2019, e Saltarines, uma peça de grande escala criada em 2022, encerrarão a relação do coreógrafo com o mundo do circo, ao mesmo tempo em que abrirão uma nova abordagem à escrita coreográfica para os próximos anos, questionando o confronto do corpo com o seu espaço e a sua simples mobilidade.
A Kale Companhia de Dança é uma plataforma de crescimento para a criação e interpretação, expondo jovens intérpretes a criadores com linguagens físicas e artísticas distintas com os seus estímulos e conceções da dança. Desde 2013, enquanto companhia, a KALE trabalhou no seu percurso com diversos coreógrafos emergentes, e.g. Daniela Cruz, Hamid Ben Mahi, Igor Calonge, André Mesquita, Matxalen Bilbao, La Tierce, Christine Hassid, Hélder Seabra, Osa+Mujika, Gilles Baron, Olatz de Andrés, Paula Moreno, Eldad Ben Sasson, Isabel Ariel, Elisabeth Lambeck, Giselle Rodrigues, Paula Águas, et al. Apresentou-se no Armazém22, mas também teatros de relevo nacional, e.g. Casa das Artes de Famalicão, Auditório Carlos do Carmo Lagoa, Cineteatro Alba e Teatro Diogo Bernardes, et al. e internacional, nomeadamente Le Colysée, Biarritz e Pole Culturel Evasion, Ambarés. Desde 2020, inaugura uma nova dialética na área da dança como veículo de inclusão social, trabalhando com criadores como Aldara Bizarro e Rafael Alvarez, em Vila Nova de Gaia A Diretora Artística da Kale Companhia de Dança, Joana Castro, assume o cargo em 2016, dando um novo rumo à companhia convidando diferentes coreógrafos de renome, e emergentes, para criar repertório e uma identidade na dança contemporânea caracterizada por um estilo rigoroso, técnico e de exploração de movimento genuíno, com um corpo de bailarinos jovem.
COREOGRAFIA PARA UM ESCRITOR
CAROLINA ROCHA
JANELA PORTUGAL
TÍTULO
Coreografia para um escritor
COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA
Carolina Rocha
PRODUÇÃO E ASSISTÊNCIA
Carolina Rocha, Gabriela Brás, Domingos Sousa
INTÉRPRETES
Carolina Lopes, Cláudio Costa, Mafalda Costa, Margarida Ferreirinha, Rodrigo Themudo, Sara Furunes
FIGURINOS
Carolina Rocha
DURAÇÃO
30 minutos (aproximadamente)
MÚSICA
“Dançar Frente ao Espelho” de Tó Trips, “Lisboa Mulata” de Dead Combo e “Filme Mudo” de Tó Trips.
Cruzas as pernas à frente da lareira, recostado no cadeirão sem saber por onde começar.
Coças o bigode que não tens e penteias a barba vasta de que te livraste a semana passada.
Desapertas o sapato e pedes-lhe que te chegue os chinelos, porque escrever de pés apertados é como ir à pesca sem cana.
Olhas para todo o lado e recordas-te: “Um bom poeta encontra inspiração na mais ínfima das coisas”
Depois repensas. Concluis que escrever sobre o exasperante som do relógio de cuco que tresanda a mofo há mais de sete gerações pode dar sinais de esquizofrenia. E isso nunca.
Carolina Rocha completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, e, posteriormente, licenciou-se em Dança na Escola Superior de Dança e na Oslo National Academy of the Arts, ao abrigo do programa Erasmus+. É atualmente mestranda em Ensino da Dança na ESD e professora de técnica de dança contemporânea no Ginasiano Escola de Dança e na Academia de Dança Marta Ligeiro. Enquanto coreógrafa, destaca as peças Commumente bonito, em cocriação com Raphael Couto, A metamorfose das coisas para a Kale Companhia de Dança e Para a Sara com alumni do Ginasiano. Como complemento ao seu percurso académico, é presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Dança, presidente da mesa da assembleia da Associação Cultural e Recreativa de Gueifães, secretária-geral da Federação Académica do Instituto Politécnico de Lisboa e membro do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Dança.
Carolina Lopes completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, e prosseguiu com a sua formação no Ballet Júnior de Genéve, Suíça. Aí teve a oportunidade de conhecer e explorar o trabalho de diferentes coreógrafos, destacando-se “Cathedral” de Marcos Morau, “The Bad” de Hofesh Shechter e também “Rooster” de Barack Marshall. Atualmente integra a equipa do Ginasiano Escola de Dança com foco de ação no projeto Sensori.
Cláudio Costa completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, licenciou-se em Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto é atualmente mestrando em Engenharia Mecânica na FEUP.
Mafalda Costa completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, e prosseguiu com a sua formação no Ballet Júnior de Genéve, Suíça, onde contactou com as obras de diversos coreógrafos, entre as quais destaca In your rooms de Hofesh Shechter, Cathedral de Marcos Morau e Rooster de Barack Marshall. Atualmente integra diversos projetos na área da dança em Portugal.
Margarida Ferreirinha completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, e prosseguiu com a sua formação na PERA School of Performing Arts, Chipre. Destaca os trabalhos dos coreógrafos Anton Latchky, Brandon Lagaert, Jean Abreu, Rafaela Shayon, Judith Sanchez, Marion e Allan e Marco Dinardo que teve a oportunidade de apresentar durante a licenciatura e a experiência artística com a Kale Cooperativa Cultural nos trabalhos de Matxalen Bilbao e da companhia La Tierce e na peça “Rice” da coreógrafa Evgeniya Glazunova.
Rodrigo Themudo completou o 12o ano em ciências e tecnologias na Escola Secundária Almeida Garrett e frequenta atualmente a licenciatura em Ciências do Meio Aquático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
Sara Furunes completou o 12o ano no ensino artístico especializado em dança no Ginasiano Escola de Dança, e prosseguiu com a sua formação na Fontys Academy of the Arts, frequentando atualmente o último ano do Bacharelato em Dança, na vertente Dance Arts in Context. É professora na MDance Academy e no Ginasiano Escola de Dança.
DREAM A LITTLE DREAM OF WE
LA MAMMA COMPANY
COMPANHIA
La Mamma Company
COREOGRAFIA
Tamara Fernando
GÉNERO
Contemporary dance
DURAÇÃO
50 minutes
INTÉRPRETES
Pearl May Hubert
Pauline Richard
Miranda Chan
Pierre d’Haveloose
Matthew Totaro
“Dream a Little Dream of We” explora a jornada do indivíduo rumo ao coletivo,onde cada pessoa confronta as suas ilusões e expectativas projetadas nos outros. Através de uma série de quadros poéticos, cinco bailarinos personificam a busca pela unidade e a complexidade das relações humanas. Nesta viagem, navegam entre a solidão e a fusão, a imitação e a rejeição, recorrendo ao humor e à teatralidade para expressar as tensões e os absurdos das nossas perceções mútuas.
Do isolamento à união, os bailarinos constroem um espaço de reflexão e contradição, onde cada corpo procura o seu lugar dentro do coletivo.
LA MAMMA COMPANY
A La Mamma Company é uma companhia de dança contemporânea fundada em 2021 pela coreógrafa franco-cingalesa Tamara Fernando. A sua visão artística é moldada pela herança multicultural, pelo diálogo intergeracional e pelo envolvimento social, conferindo a cada criação uma dimensão profundamente humana.
Desde a sua fundação, a companhia apresenta três criações originais. A peça de estreia, Malafemmena, abordou a igualdade de género tanto no palco como através de oficinas em escolas. Apresentada em França e Itália (Festival Cadences, Florence Dance Festival, Festival Les Semailles), recebeu o apoio do Atelier de Paris CDCN e conquistou o Prémio do Público no Festival Les Synodales.
Dream a Little Dream of We recebeu financiamento da Fondation Louis Vuitton e venceu os prémios do júri e do público no Festival Le Temps d’Aimer. Desenvolvida em colaboração com o CCN Ballet de Lorraine e a Adami, a obra expandiu-se de um dueto para um quinteto e continua a ser apresentada internacionalmente, incluindo workshops com o Dantzaz em Espanha.
A terceira criação, Parle avec elle(s), apoiada pela Micadanses, CND e La Ferme du Grand Béon, é um trio de dança-teatro onde vozes femininas intergeracionais moldam um documentário vivo.
A La Mamma Company promove uma dança que incentiva o intercâmbio, a inclusão e a reflexão, colocando o movimento ao serviço da diversidade e da conexão.
TAMARA FERNANDO
Tamara Fernando é uma coreógrafa franco-cingalesa formada no Conservatório de Avignon e na escola de teatro Studio Pygmalion, em Paris. Atuou com o Ballet Basel, o Ballet National de Marseille e Blanca Li, colaborando com artistas como Prince e Stromae.
A sua trajetória coreográfica inclui criações para teatro e música, nomeadamente com Jérémie Lippmann (Drôle de Genre, Les Souliers Rouges de Marc Lavoine e Fabrice Aboulker) e Justine Heynemann na Comédie-Française (Culottées). Desenvolveu ainda projetos teatrais com músicos ao vivo, como o Quarteto Modigliani, Ibrahim Maalouf e Marie-Agnès Gillot (La Boxeuse amoureuse).
Em 2021, fundou a La Mamma Company, onde criou Malafemmena, Dream a Little Dream of We (premiado pela Fondation Louis Vuitton e duplo vencedor do Festival Le Temps d’Aimer) e Parle avec elle(s), um trio feminino intergeracional que combina dança e testemunhos.
Em 2025, foi convidada por Wayne McGregor para criar uma nova peça para a Bienal de Dança de Veneza.
BAILARINAS E BAILARINOS
Pauline Richard
Bailarina contemporânea formada em Basileia, Suíça. Iniciou a carreira profissional na Alemanha com Stéphane Delattre e colaborou com Tamara Fernando na performance Les Souliers Rouges. Atua atualmente em companhias como Metamorphosis Dance, em Madrid, e Compagnie Idem, na Suíça, trazendo uma presença versátil e expressiva ao palco.
Miranda Chan
Formada na Escola de Dança Contemporânea de Montreal, atuou com companhias como Cirque Éloize, Cirque du Soleil e La Marche Bleue.
Pearl May Hubert
Nascida em Nova Iorque, formou-se no Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Lyon. Apresentou-se com companhias como Dellatre Dance Company, Compagnie P(-e-a)ser e L’Art Garage Dance Company, colaborando com Tamara Fernando em Les Souliers Rouges.
Matthew Totaro
Começou a explorar o movimento aos 11 anos. Artista autodidata, acrobata e breakdancer, participou em numerosas competições, incluindo a Battle of the Year Contest Roma 1vs1 em 2011.
Pierre d’Haveloose
Formado na London Contemporary Dance School, colaborou com Tothehands, Michiel Vandevelde, Bodhi Project (Áustria, Teatro Físico), Compagnie Théâtre Elizabeth Czerzuk (Paris) e Hrusibani com José Agudo (México).
HIZKETAK
MIZEL THÉRET
& BEÑAT CHIARY
DANÇA
Mizel Théret
CANTO
Beñat Achiary
SONS
Pierre Vissler
DURAÇÃO
60 min
HIZKETAK” / Conversations é composto por duas peças distintas nos seus princípios de composição, que associam dança, canto ao vivo e paisagens sonoras.
A memória está no centro desta criação, entendida como um espaço de transcendência dos códigos herdados do legado cultural basco e da escrita contemporânea.
A primeira peça, “Ahaidetxea”, inspira-se num poema elegíaco do poeta basco Etxahun-Barkoxe (1786–1862).
A segunda, “Frontoien Bakardadean” (Na solidão dos frontões), é atravessada pela gestualidade da pelota basca, sendo simultaneamente trabalhada em profundidade pela abstração.
Uma breve criação sonora assegura a transição entre as duas partes.
“HIZKETAK” é uma criação que explora o gesto, a voz e o som, no mais íntimo da memória.
AHAIDETXEA
Ahaidetxea, neologismo em língua basca, é composto por ahaide (música, melodia) e etxea (casa).
Na origem desta peça está, em primeiro lugar, um poema autobiográfico de Etxahun-Barkoxe (1786-1862), o poeta mítico da literatura basca, que evoca a sua vida tumultuosa, marcada por processos judiciais, estadias na prisão, períodos de fuga e muitas peregrinações. Para além dos seus aspetos anedóticos, esta elegia remete-nos irresistivelmente para temas universais: a vida, a morte, o amor, o exílio, a liberdade.
Este poema-canto atravessou o tempo através da transmissão oral, tornando-se intemporal no País Basco. Beñat Achiary apropriou-se dele há já várias décadas e propõe aqui uma nova versão totalmente inédita: a sua canção insere-se num universo sonoro composto por Pierre Vissler, a partir de rangidos e ruídos gravados numa casa — portas e soalhos que rangem, persianas que batem — mas também sons de passos na natureza, do vento e de silêncios.
Esta criação orientou-se em torno de duas questões fundamentais: uma, sobre as relações entre a dança e o canto — Como pode a dança dialogar com este canto tão poderoso e carregado de expressividade?; e outra, sobre a relação entre dança e poema — Como dar ressonância à intensidade da poesia de Etxahun-Barkoxe sem que a dança se sinta constrangida?
Estas duas linhas de pensamento conduziram ao desenvolvimento de um movimento orgânico e sóbrio, num estilo minimalista. A linguagem gestual desta peça é construída essencialmente em torno do díptico resistências–rupturas, com algumas incursões na abstração.
Associando coreografia, canto e matéria sonora, esta peça resulta de uma pesquisa e partilha a três; confronta-nos com a nossa relação íntima com a tradição e a modernidade, com a nossa relação com o mundo a partir da cultura basca e, por fim, com a nossa relação com os ritmos e as energias da natureza.
Uma peça que opta por se concentrar no canto e no movimento, para ir ao essencial. Este princípio de simplicidade aplica-se igualmente ao palco, deixado deliberadamente vazio: os corpos, as vozes e os sons bastam por si mesmos, sem artifícios. (Mizel Théret)
FRONTOIEN BAKARDADEAN
Dans la solitude des frontons
O ponto de partida de Frontoien Bakardadean é o jogo da pelota basca com as mãos nuas, no qual procuro a essência do movimento. Trata-se de uma peça em que a dimensão autobiográfica e a experiência vivida estão presentes, pois é um jogo que pratiquei intensamente durante a infância.
Comecei por desenvolver uma dança enraizada nesse gesto original, mas rapidamente senti a necessidade de tornar essa matéria gestual mais abstrata e coreográfica. A peça traduz, portanto, idas e vindas entre um movimento orgânico que emana do jogo da pelota basca e esse mesmo movimento transfigurado até à sua forma mais pura, para se tornar mais abstrato.
É uma tentativa de transportar esse gesto «raiz» para uma escrita coreográfica contemporânea.
Frontoien Bakardadean é também uma peça que combina canto e dança. O canto, interpretado ao vivo por Beñat Achiary, resulta de uma improvisação a partir da dança, cuja forma, sempre nova, se escreve no momento, num exercício de escuta recíproca.
Um canto ao mesmo tempo telúrico e celestial, selvagem e delicado — um canto que bate como a pelota na parede do frontão. Uma peça para dançar e cantar um pouco da nossa memória. (Mizel Théret)
MIZEL THÉRET
(Coreógrafo, bailarino)
Depois de ter iniciado o seu percurso na dança tradicional, prosseguiu a formação em dança contemporânea em Paris, com vários professores (Ruth Barnes — técnica Cunningham) e em dança clássica (Yves Casati).
Em 1983, criou, em Bayonne, a companhia EKARLE, para a qual realizou diversas criações.
Os seus primeiros trabalhos revelam uma vontade de hibridização entre a linguagem da dança tradicional basca e a linguagem cunninghamiana (abstrata); mais tarde, afastou-se da dança tradicional para se orientar para uma linguagem exclusivamente contemporânea e desenvolver uma dança marcada pela “abstração lírica”.
Desde 2011, codirige a companhia Traversée com a coreógrafa e pedagoga Johanna Etcheverry. Coloca a temática da memória — coletiva e individual — no centro das suas criações, desenvolvendo, com total liberdade, uma gestualidade que explora a aliança e ntre corpo, espaço e tempo.
Nas suas obras mais recentes (desde 2012), opta por um estilo minimalista, tanto na dança como na escrita coreográfica. Pureza, abstração e poesia do gesto; espaço vazio; memória — é por estes caminhos íngremes que o coreógrafo avança.
Ao longo da sua carreira, Mizel Théret criou cerca de vinte peças coreográficas.
BEÑAT ACHIARY
(Cantor, vocalista)
Beñat Achiary articula a sua pesquisa artística em torno de dois eixos: a interpretação criativa e pessoal de canções tradicionais — documentada em editoras dedicadas à música tradicional, como Ocora ou Silex — e a improvisação livre.
Encontra inspiração na língua basca (euskara), mas também em poetas de todos os horizontes: Rimbaud, Manciet, Pessoa, São João da Cruz, Lorca, Char, Michaux, François Cheng, entre outros. Tem colaborado, em concerto, com numerosos músicos de jazz, música tradicional e música contemporânea, como Michel Doneda, Bernard Lubat, Pedro Soler, Peter Kowald, Ulrich Gumpert, Derek Bailey, Etage 34, Lê Quan Ninh, Dominique Regef, Daunik Lazro, Mixel Etxekopar, Kazue Sawaï, Michel Portal, Jean Schwartz, entre muitos outros.
Conta com mais de sessenta discos editados, além da criação de numerosas composições para dança e teatro, e de várias obras poliartísticas que aliam música, canto e dança.
Em 1996, fundou com a sua esposa, Maite Achiary-Etchemendi, o festival Errobiko Festibala, que se realiza todos os anos, em julho, em Itxassou. Após mais de vinte e cinco anos à frente da direção artística do festival, passou o testemunho a uma nova geração de criadores, entre os quais o seu filho Julen Achiary.
DOIS
K2 COMPANHIA DE DANÇA
COREOGRAFIA
Inês Cerqueira e Sara Moreira
INTÉRPRETES
Beatriz Magalhães, Beatriz Serrano, Caroline Silva, Ema Cerqueira, Eva Soares, Francisca Santos, Graça Lima, Inês Prata, Isabel Rocha, Isaura Amaral, Joana Costa, Lara Pinto, Leonor Carvalho, Leonor Duarte, Leonor Neto, Leonor Vieira, Lis Soares, Margarida Rocha, Maria Inês Oliveira, Mariana Ribeiro, Mariana Sampaio, Matilde Marante, Sebastião Silva
MÚSICA
Sonata nº1 para Piano, de Beethoven; Música Original de Tilike Coelho
DESENHO DE LUZ
Joaquim Madail
DESENHO DE LUZ SPACE
João Abreu
PARTE I
SINFONIA Nº1,
OP. 21 DE LUDWIG VAN BEETHOVEN
A Sinfonia no 1, Op. 21 de Ludwig van Beethoven (1799-1800), muito embora influenciada pelo classicismo da Primeira Escola de Viena, revela já a vontade de transgredir a forma, explorando ao máximo a amplitude do fraseado e o âmbito dinâmico. Esta ânsia de mudança, de quebrar com regras e convenções e de explorar novas possibilidades em todos os sentidos, leva a que a herança de dança tradicionalmente presente na sinfonia clássica – o Menuetto como terceiro andamento – também aqui esteja distante da sua origem coreográfica. O vanguardismo de Beethoven conduziu a um aprofundar do conceito de música pura ou absoluta que funcionou como um grito de independência desta face à dança ou à literatura.
PARTE II
SPACE
Entre o caos, a precisão, a repetição, o impulso, a lógica, nasce um jogo vivo de aproximações, afastamentos, intersecções e descobertas. O tempo, umas vezes acelerado, outras suspenso, atravessa os corpos e transforma o palco num universo de possibilidades – onde cada gesto é número, cada silêncio é intervalo, e cada encontro é resultado.”Space” investiga equações invisíveis que ligam o corpo, o espaço e o pensamento. O movimento soma-se ao tempo, o espaço multiplica-se pelas conexões e o acaso integra a resolução. Hoje iremos apresentar a 2/3 desta equação!
A K2 – Companhia de Jovens Bailarinos foi criada em 2015, numa parceria entre a Kale Companhia de Dança e o Ginasiano Escola de Dança, com o objetivo de promover uma ponte entre a formação artística e o contexto profissional da dança.
O projeto nasce de uma convicção essencial: a formação do bailarino não se esgota na sala de aula. A vivência do palco, a experiência criativa e o contacto com a realidade performativa são componentes indispensáveis na formação integral do intérprete.
A K2 constitui-se, assim, como um espaço de aprendizagem estética, artística, técnica e humana, onde os jovens bailarinos — entre os 12 e os 15 anos — têm a oportunidade de trabalhar com coreógrafos convidados, participar em processos de criação ampliando a sua consciência corporal, expressiva e relacional. Ao longo dos anos, a companhia tem desenvolvido repertórios originais que desafiam os intérpretes a integrar o rigor técnico com a expressividade artística, promovendo uma formação que alia disciplina, sensibilidade e criatividade.
O projeto K2 valoriza a formação integral do aluno, reconhecendo a dança como instrumento de transformação pessoal.
A convivência artística desenvolve resiliência, humildade e empatia, ensinando que o valor de um artista reside não apenas na excelência técnica, mas na capacidade de se relacionar, de se adaptar e de criar com sentido. A K2 forma corpos técnicos, mas sobretudo pessoas conscientes e sensíveis, capazes de compreender o valor do gesto e da presença.
REGARDS CROISÉS PORTUGAL
Produção
Kale Cooperativa Cultural
Parceiros Regards Croisés Portugal
Malandain Ballet Biarritz, La Fundición Bilbao
Apoio
Direção Geral das Artes, Câmara Municipal de Gaia, Armazém22, Ginasiano Escola de Dança
Parceiro Media
Antena2
Direção artística Regards Croisés Portugal
Gaël Domenger
Promotor
KALE Cooperativa Cultural
Apoio
República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, Câmara Municipal de Gaia, Auditório Municipal de Gaia
Parceiros Regards Croisés Portugal
Malandain Ballet Biarritz, La FuNdiciOn Bilbao, Ginasiano Escola de Dança, Armazém22
Parceiro Media
Antena 2
KALE COOPERATIVA CULTURAL, CRL
Direção Artística e Executiva
Joana Castro
Consultor Artístico
Gaël Domenger
Direção Jurídica e Financeira
Carlos Guilherme Aguiar
Produção Executiva
Gabriela Brás
Direção Técnica
Joaquim Madaíl
Design Gráfico
Z
Assessoria de Comunicação
e Gestão de Redes Sociais
|Mayra Paolinelli