BORDERS

BRUNO ALEXANDRE
ENEKO GIL ALBERDI
GAEL DOMENGER

© Pedro Sardinha

Seguindo o espírito de partilha de linguagens transfronteiriças do evento REGARDS CROISÉS, a KALE Companhia de Dança convida anualmente três coreógrafos de diferentes estéticas a desenvolver uma criação original em formato triplo. Para este espetáculo, o palco será partilhado pelas criações de Bruno Alexandre (PT), criador crescente na cena portuguesa, Eneko Gil Alberdi (ES), antigo bailarino da companhia basca Kukai Dantza Konpainia que inicia o seu percurso coreográfico e Gael Domenger (FR), ex coreógrafo assistente de Thierry Malandain, diretor artístico do Centro Coreográfico Nacional Malandain Ballet Biarritz, caracterizado por um forte questionamento artístico na pluridisciplinaridade artística. Os coreógrafos são convidados a explorar a noção de fronteiras| barreiras | limites, ou a sua ausência.

Esta criação fará parte do “Regards Croisés”, um projeto de cooperação coreográfica internacional que tem como objetivo a descoberta e difusão da dança contemporânea, assim como a promoção de encontros vários entre o público e artistas, segundo a prática de diferentes visões artísticas e culturais oriundas de realidades geográficas distintas.

Criação em coprodução com Cineteatro Alba de Albergaria-Velha (estreia), Theatro Gil Vicente de Barcelos, Malandain Ballet Biarritz (França), Auditório Municipal de Gaia / Câmara Municipal de Gaia e Centro Cultural Carregal do Sal. Projeto apoiado pela
Direção Geral das Artes.

Datas Circulação

09/03/24
21h30 estreia
Cineteatro Alba,
Albergaria

16/03/24
21h30
Theatro Gil Vicente,
Barcelos

22/03/24
21h00
Le Colysee,
Regards Croisés Festival,
Malandain Ballet Biarritz

05 /04/24
Auditório Municipal de Gaia,
Regards Croisés Portugal

09/11/24
Centro Cultural Carregal do Sal

© Pedro Sardinha

Coreografia: Bruno Alexandre | Cocriação e Intérpretes: Beatriz Prata, Isabela Rochael, Rafael Belinha, Raúl Sousa e Xavier Coelho | Desenho de Luz: Bruno Alexandre e Francisco Campos | Música: “Sold Into Slavery / Captain Blood Suite” (Erich Wolfgang Korngold e André Previn); “Fire Leap” (Gazelle Twin & NYX); “Gold” (Carmen Villain); “Adoration of Veless and Ala”, de Scythian Suite, Op. 20” (Sergei Prokofiev) | Maquilhagem: Sérgio Antunes | Edição Sonora: Domingos Alves

A GRANDE FARSA

Entre a tragédia e a mentira, encenamos a fantasia de ser outro corpo. Somos uma farsa, uma impossibilidade de ser nuvem e lama, bambu ou neptuno, tudo ao mesmo tempo. Fazemos um esforço para nos entreter e quem sabe, entreter-vos. Olhamos para vocês com o espanto com que olhamos para nós mesmos. Podíamos ser fósseis, existir antes das histórias que se tocam com as mãos de agora. Sabemos que temos uma vida temporária, curta, mas não é sempre assim ?

© Pedro Sardinha

Coreografia: Eneko Gil Alberdi | Intérpretes: Rafael Belinha e Xavier Coelho | Desenho de Luz: Eneko Gil Alberdi e Francisco Campos | Sonoplastia: Criação de Eneko Gil Alberdi; “Mizezs vedzeb” e “Ilarié” (Xuxa)

...QUANDO CRESCER NÃO IMPORTAVA...

“Os olhos requerem olhos e os corações corações e os meus requerem os teus em todas as ocasiões.” Vitorino (1942 – )

Há uma ilusão na masculinidade normativa (tóxica) de que os homens não são vulneráveis, que são poderosos, equilibrados, racionais, não dependentes dos cuidados dos outros. Não nos apercebemos de quanta energia é gasta na exibição dessa ilusão, dessa desilusão. Não descobrir o nosso lado verdadeiro e frágil é desgastante.
…quando crescer não importava… é um exercício de aceitação da vulnerabilidade transversal a que o ser humano está condenado a viver desde o nascimento até à morte.
Voltar à infância para nos lembrarmos de quem somos, para nos lembrarmos do quanto fomos amados e do quanto nos fizeram sofrer. As memórias, as feridas, o amor, as brincadeiras, a violência, as canções, o cuidado, o descuido, uma bola amarela, um escorrega. Um elogio à nostalgia, à resistência sensível.

Hay un falsa ilusión en la masculinidad normativa (tóxica) de que el hombre no es vulnerable, de que es poderoso, equilibrado, racional, que no depende del cuidado de otras personas. No nos damos cuenta de cuánta energía se gasta en mostrar esa ilusión, esa desilusión. El no descubrir nuestro lado verdadero y frágil, agota.
…cuando crescer não importaba… es un ejercicio de aceptación de la vulnerabilidad transversal que el ser humano está condenado a vivir desde que nace hasta que muere.
Regresar a la infancia para recordar quiénes somos, para recordar cuánto nos amaron y cuánto nos hicieron sufrir. Los recuerdos, las heridas, el amor, los juegos, la violencia, las canciones, el cuidado, el descuidado, un balón amarillo, un tobogán. Un elogio a la nostalgia, a la resistencia sensitiva.

© Pedro Sardinha

Coreografia: Gaël Domenger | Intérpretes: Beatriz Prata, Isabela Rochael e Rafael Belinha | Desenho de Luz: Gaël Domenger e Francisco Campos | Composição Musical: “temp to delete”, de Axel Domenger | Figurinos: Miyuki Kanei

XIPÉHUZ

Xipéhuz é um “haiku” (forma curta de poesia japonesa) coreográfico, que presta homenagem ao conto “Les Xipéhuz” do escritor J-H Rosny Ainé [1856 – 1940], famoso pelo seu romance “La guerre du feu”. “Les Xipéhuz” é considerado um dos primeiros contos de ficção científica, numa altura em que a ficção científica era representada pelo “cientista maravilhoso”, um movimento literário francês no qual J-H Rosny participou juntamente com Júlio Verne. O conto “Les Xipéhuz” narra um encontro inesperado entre uma tribo de homens pré-históricos e formas minerais vivas e suspensas, que defendem o seu território e o expandem à medida que se multiplicam. Este encontro gera um conflito que levará ao desaparecimento dos Xipéhuz em prol da sobrevivência da humanidade. A coreografia responde a este tema questionando o corpo na sua relação sensível com o mundo mineral e o que isso implica em termos de espaço e tempo. É também uma procura de gestos-fonte que procuram combinar-se entre si para criar uma linguagem que poderia ser, com a ajuda do maravilhoso cientista nas nossas mentes, a dos Xipéhuz. A composição musical é de Axel Domenger, com citações musicais dos autores franceses Jean-Philippe Rameau (“Les sauvages”, da ópera “Les Indes galantes”) e Maurice Ravel (Pavane pour unes infante défunte”). O desenho de luz é dirigido por Gaël Domenger sobre um conceito de Jean-Claude Asquié, desenhador de luz de Thierry Malandain e Maurice Béjart.

“Xipéhuz” est un “haiku” chorégraphique qui rend hommage à la nouvelle “Les Xipehuz” de l’écrivain J-H Rosny Ainé, célèbre pour l’écriture de son roman “La guerre du feu”. Les Xipéhuz est considéré comme une des premières nouvelles de science fiction à une époque où la science-fiction est représentée par le “scientifique merveilleux”, un mouvement littéraire français auquel participe J-H Rosny aux côtés de Jules Verne. La nouvelle “Les Xipehuz” relate la rencontre inopinée entre une tribu d’hommes préhistoriques et des formes minérales vivantes, en suspension, qui défendent leur territoire et s’agrandissent au fur et à mesure qu’ils se multiplient. Cette rencontre dégénère en un conflit qui mènera à la disparition des Xipéhuz au profit de la survie de l’humanité. La chorégraphie répond à ce sujet par un questionnement du corps dans sa relation sensible au monde minéral et ce que cela implique sur le plan spatial et temporel. Il est également une recherche de gestes sources qui cherchent à se combiner entre eux pour créer un langage qui pourrait être, grâce à l’aide du scientifique merveilleux dans nos esprits, celui des Xipéhuz. La composition musicale est d’Axel Domenger, avec des citations musicales d’auteurs français comme Jean-Philippe Rameau (“Les sauvages”, de l’opéra “Les Indes galantes”) et Maurice Ravel (Pavane pour unes infante défunte”). Le dessin lumière est dirigé par Gaël Domenger sur un concept de Jean-Claude Asquié, ex-éclairagiste de Thierry Malandain et Maurice Béjart.

KALE COMPANHIA
DE DANÇA

A Kale Companhia de Dança é uma plataforma de crescimento para a criação e interpretação, expondo jovens intérpretes a criadores com linguagens físicas e artísticas distintas com os seus estímulos e conceções da dança. Desde 2013, enquanto companhia, a KALE trabalhou no seu percurso com diversos coreógrafos emergentes, e.g. Daniela Cruz, Hamid Ben Mahi, Igor Calonge, André Mesquita, Matxalen Bilbao, La Tierce, Christine Hassid, Hélder Seabra, Osa+Mujika, Gilles Baron, Olatz de Andrés, Paula Moreno, Eldad Ben Sasson, Isabel Ariel, Elisabeth Lambeck, Giselle Rodrigues, Paula Águas, et al. Apresentou-se no Armazém22, mas também teatros de relevo nacional, e.g. Casa das Artes de Famalicão, Auditório Carlos do Carmo Lagoa, Cineteatro Alba e Teatro Diogo Bernardes, et al. e internacional, nomeadamente Le Colysée, Biarritz e Pole Culturel Evasion, Ambarés. Desde 2020, inaugura uma nova dialética na área da dança como veículo de inclusão social, trabalhando com criadores como Aldara Bizarro e Rafael Alvarez, em Vila Nova de Gaia. A Diretora Artística da Kale Companhia de Dança, Joana Castro, assume o cargo em 2016, dando um novo rumo à companhia convidando diferentes coreógrafos de renome, e emergentes, para criar repertório e uma identidade na dança contemporânea caracterizada por um estilo rigoroso, técnico e de exploração de movimento genuíno, com um corpo de bailarinos jovem.

BRUNO ALEXANDRE

Bruno Alexandre (n. 1977, Lisboa). Licenciado em Dança pela Escola Superior de Dança e Licenciado em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa. Mestre em Artes Cénicas pela FCSH. Como coreógrafo criou o solo “Cinemateca” (2015) que teve a sua estreia no Festival Cumplicidades, “Cavalos Selvagens” (2018) estreado na Culturgest e apoiado pela Dgartes, “A Caminhada” (2019) uma co-produção do LU.CA apoiada pela fundação GDA e “Danças Precárias” (2021) projecto vencedor da bolsa de criação para artistas emergentes apoiada pela Fundação La Caixa/Espaço do Tempo e da bolsa para primeiras obras apoiada pela Casa da Dança. Criou também o espectáculo “Avalanche” para a Companhia Jovem de Dança de Ílhavo (2022) e encontra-se a preparar a sua próxima criação “Cabeça-Coração” com estreia prevista para o festival Temps D´images em 2024. Criou também para Televisão (RTP Palco) a curta-metragem “Vulcão” estreada em 2022.

Trabalhou na Companhia Olga Roriz como bailarino e assistente de criação, entre 2007 e 2020. Trabalhou também como intérprete com Tiago Rodrigues, Filipa Francisco e Susana Vidal. Foi ainda intérprete e criador dos espectáculos “Lugar Vagon”, premiado pelo Clube Português de Artes e Ideias, apresentado no festival Citemor e de “Aguada” ambos em colaboração com Pedro Santiago Cal e Mafalda Saloio.
No Cinema participou em “Cidade Rabat” de Susana Nobre e em “Mariphasa” de Sandro Aguilar. Director e coordenador do Festival “Interferências” da Companhia Olga Roriz, desde 2019.

Como professor, leccionou aulas regulares e Workshops de Improvisação e Composição na ESD (Escola Superior de Dança), ETIC, CMJ (Conservatório de Música da Jobra), Ginasiano Escola de Dança, F.O.R (Formação Olga Roriz), Escola de Artes do Alentejo Litoral (Sines) e Festival Sidance (Seul).

Eneko Gil Alberdi

É licenciado em Filologia Hispânica e formou-se em Dança com diferentes professores e companhias. É membro do grupo Kukai desde a sua fundação. Teve a oportunidade de trabalhar com coreógrafos da envergadura de Cesc Gelabert, La Intrusa Danza, Jone San Martín, Marcos Morau, Sharon Fridman, etc. Também colaborou com outros artistas locais, como Mikel Aristegui, Asier Zabaleta, Myriam Pérez Cazabon, Koldo Arostegui.. Em 2009 foi premiado no Certámen Coreográfico de Madrid, e pôde completar a sua formação com diferentes mestres internacionais nos Estados Unidos, no American Dance Festival na Carolina do Norte e Movement Research em Nova Iorque. Criou Anakrusa Dantza Antzerki Taldea juntamente com o ator Iñigo Ortega e a bailarina Noemi Viana. Nos últimos anos, entre outras coisas, trabalhou com Hika Teatro (Tonbola e Gazte) e continua a fazê-lo com Oier Zuñiga (Eresia), e também realizou a pesquisa coreográfica Hitzezko Hitzak Mugimenduan/Fuck you. Está a preparar o projeto para ser estreado no outono de 2022 pelas companhias Etorkizunean Artedrama e Axut. www.tabakalera.eus/es/eneko-gil-alberdi

Gaël Domenger

Gaël Domenger estudou na Escola de Ópera de Paris, e formou-se no Conservatório Nacional Superior de Paris. Enquanto bailarino iniciou a sua carreira no Euroballet (luxemburgo), passando pelo Ballet de Leipzig, dirigido por Uwe Scholz, pela Ópera Real de Wallonie, pelo Scapino Ballet Rotterdam sob a direção de Ed Wubbe e desde 2003 na companhia Malandain Ballet Biarritz. Gael é um especialista na direção regional de assuntos culturais da nova Aquitânia. É responsável de mediação e acolhimentos artísticos no CCN Malandain Ballet Biarritz. Fundou e desenvolve a iniciativa LABO (Laboratório de pesquisa coreográfica sem fronteiras) dentro do Ballet Malandain Biarritz. Enquanto coreógrafo desenvolve há dez anos trabalho de pesquisa no âmbito da dança contemporânea cruzando as áreas de realidade virtual e texto. Desenvolveu o projeto piloto de cooperação coreográfica territorial “Regards Croisés” que prepara sua 9ª edição em parceria com a Fundición de Bilbao e a Kale Companhia de Dança. Participa na promoção de cruzamentos entre artistas e coreográficos estabelecidos e emergentes.

Coreografia:
Bruno Alexandre,
Eneko Gil Alberdi,
Gael Domenger

Intérpretes
Beatriz Prata,
Isabela Rochael,
Rafael Belinha,
Raúl Sousa e
Xavier Coelho

Direção Técnica
Joaquim Madaíl

Desenho de luz
Joaquim Madaíl,
Francisco Campos,
Bruno Alexandre,
Eneko Gil Alberdi e
Gaël Domenger

Operação de Luz
Francisco Campos

Ensaiadora
Isabel Ariel

Coprodução
Cineteatro Alba de Albergaria-Velha (estreia), Theatro Gil Vicente de Barcelos, Malandain Ballet Biarritz, França e Câmara Municipal de Gaia / Auditório Municipal de Gaia e Centro Cultural Carregal do Sal

Apoios
Direção Geral das Artes,
Ginasiano Escola de Dança,
Armazém22

Parceiros Media:
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